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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Manifestação pela defesa da Festa Brava no Campo Pequeno


"Sou Português, Sou Aficionado"

Hoje, dia 7 de Maio, no Campo Pequeno 1ª Grande Manifestação a Favor da Festa Brava em Portugal, com o mote "Sou Português, Sou Aficionado".
Pede-se então a todos os aficionados que estejam presentes no Campo Pequeno, afim de mostrarmos todos juntos que a Festa dos Toiros está para durar...e mostrar que mais do que nunca a aficion portuguesa está unida e decidida em defender a tradição dos toiros em Portugal.
Esta manifestação conta com o apoio da AMVAT (Associação de Médicos Veterinários de Actividades Taurinas), ANGF (Associação Nacional de Grupos de Forcados), APCTL (Associação Portuguesa de Criadores de Toiros de Lide), APET (Associação Portuguesa de Empresários Taurinos) e SNTP (Sindicato Nacional de Toureiros Portugueses).


terça-feira, 5 de maio de 2009

Livros - Homens que Pegam Toiros

Porque se enfrenta um Homem a um animal, de características tão peculiares, como o Toiro Bravo? Porque lhe há-de bater as palmas em desafio e apresentar-lhe o peito, com desdém, apenas e só com o intuito de o envolver em abraço? Porque o faz generosamente sem nada receber em troca senão o carinho e o aplauso do público ou um sorriso de mulher?
São perguntas que os menos entendidos, leigos até, poderão fazer, buscando uma resposta que, até esta data, só lhes poderia ser dada através de tradição, cultura, amor-próprio, a coragem de suplantar-se a si mesmo, dignidade, respeito e admiração.Mas não será somente tudo isto, não sendo pouco, a razão que leva um Homem fardar-se de moço de forcado, procurando a glória enfrentando, por vezes, a morte.
Tudo está no Toiro, esse animal de incógnitas, sublime e relevante. Faltava um estudo aprofundado, racional e lógico para que se entenda uma das artes mais sublimes, da nossa cultura popular, tantas vezes defendida por gente erudita.
Ao abrigo de uma tese, a Dra Teresa Soares, arquitectou de uma forma apaixonada uma visão realista, indo ao encontro dos bastidores, ao âmago da questão, para que de uma forma cuidada saltar a “teia”, para nos brindar com a galhardia, a firmeza e a elegância que lhe são reconhecidas, e realizar a mais bela das “pegas”.
Este é um livro, que não mais um, que deverá ser lido, estudado e consultado, com lugar obrigatório em qualquer estante de um bom aficionado.
Que Deus reparta Sorte!

(In Raúl Bexiga Caldeira)

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Entrudo Português - A Tradição

Ainda resistem em Portugal algumas celebrações do Entrudo que mantêm a sua singularidade, de acordo com as nossas tradições. Em Trás-os-Montes contam-se pelo menos três: Lazarim, Vinhais e Podence.

Em Lazarim, o Entrudo é uma festa local, quase privada, cuidadosamente preparada nas semanas que a antecedem. O ponto alto é a leitura pública das «deixadas», testamentos que dividem simbolicamente um burro pelos rapazes e raparigas da aldeia. Jocosas, trocistas e irónicas, são preparadas em segredo pelos mais novos, que muitas vezes recorrem à sabedoria e conhecimento dos mais velhos, repetindo a tradição. Os testamentos são ouvidos em silêncio pelos mascarados para não serem reconhecidos pelas vítimas das suas diabruras.
Mas a festa não fica completa sem o Desfile de Caretos, o Concurso de Máscaras (feitas em madeira pelos artesãos locais) e a Queima dos Compadres - o compadre e a comadre, dois bonifrates carregados de pólvora e que, na terça-feira, põem ponto final à festa e à rivalidade que durante várias semanas opôs rapazes e raparigas.
Fundamentais são também as refeições cerimoniais à base de carne de porco, que marcam o início do período de abstinência da Quaresma.
Se o discurso jocoso e a troça pública marcam o momento mais significativo do ritual carnavalesco de Lazarim, em Vinhais e Podence é o movimento e a acção endiabrada dos mascarados que predomina.
A acção dos diabos de Vinhais já não produz hoje os efeitos temidos de outrora, quando as raparigas não se atreviam a sair à rua. O ritual de punição e correrias pelas ruas da vila é hoje uma manifestação tímida e cada vez mais incerta, com não mais do que uma dezena de mascarados.
Mas, em Podence, pequena aldeia situada a poucos quilometros de Macedo de Cavaleiros, a tradição está de boa saúde e conserva ainda uma boa parte da licenciosidade «selvagem» que sempre a caracterizou.
Os dias grandes da festa são o Domingo Gordo e Terça-feira de Carnaval e os Caretos só param para matar a sede ou para combinarem mais uma investida sobre o Largo da Capela, a pequena praça da aldeia onde todos assistem ao ritual.
Às iras dos Caretos endiabrados ninguém se atreve a opôr-se. Apenas as Matrafonas (raparigas disfarçadas de homens e vice-versa) são poupadas à sumária justiça carnavalesca, assaz singular no caso da aldeia transmontana: os demónios mascarados lançam-se ao assalto das moças e encostando-se a elas, ensaiam uma dança um tanto erótica, agitando a cintura e fazendo embater os chocalhos que trazem pendurados contra as ancas das vítimas.
Na investida bárbara que faz ecoar por toda a aldeia o alarido dos chocalhos e o tropel surdos dos passos, os Caretos levam tudo pela frente, indistintamente. Por detrás da máscara de latão os olhos procuram muitas vezes as moças mais apetecidas, quer sejam da terra ou de fora, para o sacrifício. Não conhecem entraves ou proibições: subir às varandas, trepar aos telhados ou correr pelo Largo da Capela. Tudo vale para «chocalhar» e misturar o tilintar dos chocalhos com os risos das raparigas.
Na Terça-feira Gorda, a aldeia mergulhará novamente numa vertigem de correrias e travessuras que só terminarão com o cair da noite e com o cansaço dos demónios de fatos de franjas de cores vivas.

Entrudo Português

“- Palhas, alhas leva-as o vento!
- Oh, oh, oh... - Aqui se vai formar e ordenar um casamento.
- Oh, oh, oh... - E quem é que nós havemos de casar?
- Tu o dirás.
- Há-de ser a Maria Rita que mora no bairro do Castelo.
- Oh, oh, oh... - E quem é que nós havemos de dar para marido?
- Tu o dirás.
- Há-de ser o João da Rua que mora lá em baixo no Porto.
- Oh, oh, oh... - E que nós havemos de dar de dote a ela?
- Tu o dirás.
- Há-de ser uma máquina de costura, porque ela é uma boa costureira.
- E que é que nós havemos de dar de dote a ele?
- Tu o dirás.
- Há-de ser uma terra ao Souto, para que não saia um de cima do outro enquanto for Inverno.”

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Tradição Portuguesa - Vinho dos Mortos

Museu vai preservar tradição do «Vinho dos Mortos»O «Vinho dos Mortos», um dos ex libris de Boticas, vai dispor de um pequeno museu que pretende preservar a história deste vinho, que é enterrado, e impedir a sua extinção, disse fonte da autarquia.
Actualmente, são poucos os viticultores que se dedicam à produção do «Vinho dos Mortos» nos moldes tradicionais e, para impedir a sua extinção, a autarquia e a Cooperativa Agrícola de Boticas (Capolib) estão a desenvolver um plano que passa pela recuperação e preservação deste produto.
O Repositório Histórico do «Vinho dos Mortos», obra que está a ser concluída na Granja, é uma das etapas desse plano e vai funcionar como uma espécie de «museu vivo», onde representa todo o processo de «fabrico» daquele néctar.
O nome do vinho pode parecer um pouco macabro mas deriva de um facto histórico ligado às invasões francesas.
Quando em 1809 as tropas francesas, comandadas pelo general Soult, invadiram pela segunda vez Portugal, o povo, com medo que estes lhes pilhassem as suas colheitas e outros bens, escondeu o que conseguiu.
Segundo a fonte da autarquia, o vinho foi enterrado no chão das adegas, no saibro, debaixo das pipas e dos lagares.
Mais tarde, depois dos franceses terem sido expulsos, os habitantes recuperaram as suas casas e os bens que restaram e, ao desenterrarem o vinho, até o julgaram estragado.
Porém, descobriram que estava muito mais «saboroso» e que «tinha adquirido propriedades novas».
«É uma vinho com uma graduação de 10 a 11 graus, palhete, apaladado, e com algum gás natural, resultante da fermentação no escuro e a uma temperatura constante», explicou à Agência Lusa o produtor Armindo Sousa Pereira.
Este pequeno viticultor é um dos poucos que, em Boticas, ainda produz o «Vinho dos Mortos» nos seus moldes tradicionais, de acordo com a técnica que já aprendeu com os seus pais.
Por ter sido «enterrado», ficou a designar-se por «Vinho dos Mortos» e passou a utilizar-se esta técnica, descoberta ocasionalmente, para melhor o conservar e optimizar a sua qualidade.
As cerca de mil garrafas que Armindo Sousa Pereira produz anualmente são enterradas em finais de Abril ou Março, no chão de saibro da sua própria adega e «até não precisa de ser a grande profundidade».
«O importante é que as garrafas fiquem enterradas», sublinhou.
Entre Julho e Agosto, as garrafas são desenterradas e o néctar fica pronto para beber.
O produtor diz que são muitos os turistas e apreciadores que se deslocam a Boticas de propósito para comprar uma garrafas deste vinho histórico.
Há alguns anos, o «Vinho dos Mortos» foi também um dos temas centrais que uma televisão japonesa gravou na região do Alto Tâmega.
E é esta tradição e esta história que o Repositório do Vinho dos Mortos pretende preservar e dar a conhecer.
Naquele pequeno edifício em granito vai ser colocado um lagar em pedra, alguns objectos ligados à produção do vinho e painéis descritivos desse processo e da história que deu origem à sua denominação.
O espaço exterior será também tratado, adornado com videiras em latada e possuirá em exposição alguns objectos relacionados com o vinho que possam ser mantidos ao ar livre, como tinas ou vasilhas em granito.

Diário Digital / Lusa

sábado, 25 de agosto de 2007

Festa Brava

“- O verdadeiro patriotismo, talvez – disse ele -, seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada. Damâso levou as mãos à cabeça. Uma tourada! Então o Sr. Afonso da Maia preferia touros a corridas de cavalos? O Sr. Afonso da Maia, um inglês!...- Um simples beirão, Sr. Salcede, um simples beirão, e que faz gosto nisso; se habitei a Inglaterra, é que o meu rei, que era então, me pôs fora do meu país... Pois é verdade, tenho esse fraco português, prefiro touros. Cada raça possui o seu sport próprio, e o nosso é o touro: o touro com muito sol, ar de dia santo, água fresta e foguetes... Mas sabe o Sr. Salcede qual é a vantagem da tourada? É ser uma grande escola de força, de coragem e de destreza... Em Portugal não há instituição que tenha uma importância igual à tourada de curiosos. E acredite uma coisa: é que se neste triste geração moderna ainda há em Lisboa uns rapazes com certo músculo, a espinha direita e capazes de dar um bom soco, deve-se isso ao touro e à tourada de curiosos...”
- Eça de Queirós, Os Maias